CARNAPAUXIS É A FESTA DA COMODIDADE DAS BANDAS?

Neste artigo o autor aborda os estilos de música do Carnapauxis, leia...

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Certo dia, em um domingo de Pré-Carnapauxis em plena Praça do Sesquicentenário, em Óbidos, Estado do Pará, dois amigos conhecidos me pararam para externar suas opiniões acerca do padrão de música que estavam sendo tocadas no palco do evento. Na opinião deles, haveria a necessidade de tocarem mais marchinhas de carnaval e não quase que totalmente o chamado forró elétrico e nos pediram para escrever alguma coisa neste Blog em relação ao assunto.

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Outro dia ouvi em pleno palco no Pré-Carnapauxis um dos vocalistas da banda que tocava, justificar os motivos pelos quais eles faziam uso daquele estilo, o forró elétrico, e que o estilo em questão deveria ser visto como um referencial de um carnaval que precisa evoluir. A partir daquele momento ficamos analisando as duas falas e nos sentimos deveras instigados a emitir nossa opinião acerca do assunto.

Primeiramente, vale lembrar o enorme respeito que temos para com os inúmeros músicos, técnicos de som e pessoas envolvidas com música ou que apreciam a boa e diversa música neste município e fora dele. Para tanto, sobre os músicos que conhecemos fora de Óbidos há de fato um número significativo, sendo que muitos tivemos mais e outros muitos, menos contato. De lá de fora me lembro do Délio Reis, que escreveu a letra da Música 2018 do Bloco Serra da Escama; do José Felix; do Vicente Moura; do Cuca; do Dentinho do baixo, que mora atualmente na França; do Delcley; do Floriano, vencedor de diversos Festivais; do Ronaldo, Bola e Dimmi da Percussão; do Baiano da Flauta, Eduardo Dias, a família Chaves, o Tidão  e muitos outros.

Bem, vamos fazer aqui uma abordagem inversa, mas ao final nosso argumento será elucidado.

Consideramos realmente de longa data que o Carnapauxis precisa e deve evoluir, mas também é necessário não perder de vista as origens deste e é onde entram as marchinhas que levavam e levam, hoje com o Bloco Pai da Pinga, a população a percorrer as ruas estreitas da cidade, lembrança de nossa infância e vivência nas diversas segundas feiras.

Por outro lado, um Carnapauxis apenas de marchinhas contempla apenas um determinado público, claro que não é essa a meta do evento.

Mas nos chama atenção o fato de que há desde 2007, pelo menos é o que conseguimos juntar em acervo pessoal de músicas do Carnapauxis, um volume de mais de 100 músicas que muitos autores dos mais diversos blocos oficiais e não oficiais criaram, disponibilizaram e estão ficando relegados ao esquecimento.

Aí vem a tona uma palavra muito significativa que está na base de todos eventos de grande público que se mantém ao longo do tempo, mesmo tendo que passar pelo processo de evolução que defendemos e que comentou o cantor no palco, a palavra é IDENTIDADE, é isso que permite com que muitas pessoas possam querer vir conhecer e brincar o Carnapauxis. Ora, nós temos o mascarado fobó com dominó, máscara, capacete de fitas coloridas, rifirí, bexiga de boi e o pó branco; temos as marchinhas de carnaval; temos as mais de cem músicas que animam os blocos e o público todos os anos e que essas músicas contam a história deste evento e do povo pauxi ou fivela. Portanto, nossa identidade está nesses aspectos que nos fazem ter um evento singular e nunca devem ser ignorados, pois se for para ouvir e dançar um forró elétrico somente, talvez seja mais relevante ir a uma Caruarú, Bahia ou qualquer outra Cidade ou Estado para ver as bandas originais.

Mas, nosso público não quer estar lá, nosso público quer justamente nossas características singulares, que é o que os atrai, e claro, querem aproveitar para brincar e se divertir conosco, com nossa hospitalidade, com nosso companheirismo e nosso cenário, com todos os ritmos que tocarem no palco e em qualquer dos diversos lugares de Óbidos. Ora, quando tocam o forró elétrico, o povo se anima, quando tocam as marchinhas, o povo se anima, quando tocam as músicas dos Blocos, o povo se anima e nos enchemos de orgulho de sermos anfitriões de uma festa tão magnífica, sem deixar nada a desejar se compararmos aos grandes eventos que são realizados neste Estado, ou fora dele. Só nos falta consolidar e valorizar nossa identidade, porque a mesmice e falta de identidade nós vemos aos montes por aí e mesmo com volumes enormes de investimentos, não conseguem superar o nosso Carnapauxis, a Nossa Identidade.

Portanto, eu me recuso a considerar que há a negligência da nossa identidade por conta da comodidade. Comodidade de querer tocar apenas as músicas que são tocadas nos salões de festa da cidade durante o ano, porque estas estão mais do que ensaiadas e estão na ponta dos dedos dos acordes dos tocadores de instrumentos ou na ponta da língua dos cantores devido a tanto repetir e ensaiar, enquanto que nossas músicas, aquelas da nossa identidade e que fizeram com que esta festa seja o que é hoje, sejam esquecidas e ignoradas quando deveriam estar sendo ensaiadas com afinco por que são elas que mostram ao mundo que aqui se produz um carnaval com singularidade e com Identidade atraindo, com isso, mais visitantes e turistas que trazem renda para nosso povo e acima de tudo, público para assistir nosso Carnaval e nossos músicos fazendo o inusitado, e assim cada um deles poderá vir a ser conhecido lá fora, porque entendemos que é o singular que faz surgir os novos nomes da Música Nacional e Internacional. Imaginemos quantas bandas e músicos de fora gostariam de tocar para um público desse porte só para divulgarem seus trabalhos, talvez até mesmo recebendo menos e tocando a identidade deste povo só por entender que nossa festa é uma gigante oportunidade.

Não defendemos aqui que sejam tocadas apenas as músicas do Carnapauxis, apenas enfatizamos que aquelas que contam a história do carnaval obidense estejam sendo tocadas nas rádios, nos carros, nas casas, no palco, porque elas são a identidade do nosso evento e que estejam em pé de igualdade junto com todos os outros tipos de músicas que animam o brincante ou foliões, porque a festa é a festa do Mascarado Fobó, a festa da alegria, do colorido, da diversidade, da singularidade, do povo obidense, é a festa na terra e do Povo Pauxi, é a Festa do Mascarado Fobó.

Por Márcio Rubens

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1 Comentário

  1. REINALDOEDSON disse:

    Em uma parte até pode ter razão agora no restante você não tem nem noção. Até que ponto chega um empresário de uma banda pra colocar uma banda ou uma estrutura pra esse carnaval.? Moramos aqui e temos prazer de abrir a sua mente pro risco de vida e financeiro que corremos pra tocar nesse carnaval, Você sabia que as bandas que tocam são as que mais barato cobra.?E não é por falta de músicos competentes, porque isso temos de sobra. Entao não espere muito qualidade ou dedicação de quem não tá ganhando dignamente um valor pelo seu trabalho (ou quem não sabe se um dia vai receber quando) pra tá tocando nesse carnaval.!
    TEMOS SIM O MELHOR CARNAVAL DO OESTE DO PARÁ.