CRIANÇAS CONTAM ESTÓRIAS, CULTURA POPULAR DE ÓBIDOS

Neste artigo o autor revela aspectos de um publicação sobre a cultura popular puramente obidense...

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Pelo dia 22 de agosto de 2017, dia do Folclore, nada melhor do que termos um pouco de alguns mitos e lendas característicos de Óbidos.

Na verdade um projeto denominado Seiva, de 2011, tinha como um de seus objetivos a valorização das coisas da terra e foi desenvolvido junto às Escolas Municipais da Várzea obidense e em 2012 na terceira Culminância do Projeto junto a Escola Perpétua Figueira, na Comunidade Vila Vieira, os alunos, sob a orientação do Professor Marco Lino fizeram a reunião de estórias do lugar, estórias essas relacionadas ao Folclore da Comunidade, ao mesmo tempo em que os próprios alunos fizeram desenhos que pudesses representar aqueles relatos que seus pais e avós contaram a eles. Todo aquele material foi catalogado e reunido em uma publicação experimental denominada: “Crianças Contam Estórias, O homem de branco e outros causos da Cultura Ribeirinha Obidense” que a nosso ver bem que merece uma publicação oficial com apoio da Sociedade Civil e/ou do Poder Público, conheça um pouco dessas estórias nas linhas abaixo.

 O MERGULHO

Contado por Ilenilsa Nogueira e escrita por

Gustavo Campos Galvão (5º ano 2016)

Uma vez um menino chamado José Raimundo saiu de casa para tomar banho na beira do rio Amazônas. A irmã mais velha estava no porto lavando roupa sobre uma ponte. O menino começou a pular na água. De repente, falou para sua irmã que ele iria buscar um jacaré que estava no fundo, amarrado em um moirão perto do perau. A irmã pensou em mais uma brincadeira do irmão e não deu muito crédito. Logo em seguida o menino mergulhou na água do rio. A irmã esperou o irmão voltar com o dito jacaré. O menino custou a boiar. Então a garota percebeu a demora e logo ficou desesperada com o sumiço do irmão. Correu até a casa para avisar os parentes. Juntou-se muita gente para procurarem o garoto, mas não foi encontrado. Aquela foi a última vez que alguém viu o José Raimundo.

O JURUPARI

Contado por Jadson Batista Vieira (5º ano 2016) e escrita por

Débora Farias de Brito (5º ano 2016)

Um homem gostava de caçar à noite na mata da terra firme. Certa noite, o caçador estava no mutá de espera e já havia matado duas caças. Mataria quantas fosse possível. Escutou um barulho nas folhagens no chão e ficou em alerta, podia ser mais uma caça. Focou no rumo do tropéu e teve uma surpresa: era um terrível jurupari que vinha em sua direção. O caçador rapidamente disparou um tiro no Jurupari, mas o monstro não morreu. Ficou furioso, atacou o caçador no mutá e o devorou juntamente com as caças que o homem já havia matado.

O terrível Jurupari seguiu no rumo da casa do pobre caçador, onde ficara a esposa e a filha pequena. E como o Jurupari havia enchido bem a barriga, entrou na palhoça e se encostou logo no primeiro canto que encontrou. Na rede, junto com a filhinha do caçador. Ao ouvir uma arrumação diferente, a mulher acendeu a lamparina e viu que o Jurupari estava deitado junto da criança. O monstro todo sujo com sangue dormia um sono profundo.

Era uma cena assustadora, mas a mulher pegou a criança bem devagar e fugiu para se esconder dentro de um buraco que havia perto da casa.

O jurupari acordou e não havia ninguém na casa. Procurou em cada canto, revirou tudo, e nada encontrou. O Jurupari ficou muito irado e perguntava mais raivoso ainda: “Pra onde essa mulher foi?” Um acurau que estava pousado próximo da casa, respondeu: “No buraco está! No buraco está!” O Jurupari estava tão transtornado que não compreendeu em que buraco da mata a mulher poderia estar escondida.

Depois que o jurupari saiu para procurar na mata, a mulher do caçador, ela saiu do buraco com a criança e foi até a casa de um vizinho. Ele tinha três filhos que eram muito corajosos. A mulher contou que havia acontecido e os homens amolaram bem os seus terçados e seguiram para caçar o monstro. O encontraram sobre o mutá onde o caçador esperava as caças. O Jurupari estava dormindo despreocupadamente e sua genitália estava pendurada. Os homens prepararam muitas estacas apontadas como lanças e fincaram no chão. Um dos homens foi bem devagar com o terçado bastante amolado e cortou a parte do Jurupari. O monstro pulou gritando terrivelmente e veio abaixo ficando espetado na ponta das estacas.

Os homens retornaram com a notícia da morte do monstro. Mãe e filha, finalmente, puderam voltar para casa, livres do Jurupari.

Por Márcio Rubens

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